por: Giancarlo Machado
Tempos atrás fiz uma matéria sobre o Mercantil, um excelente pico de Belo Horizonte que ficou conhecido em todo o país após a realização do Desafio de Rua da revista CemporcentoSkate. Desse evento para cá, o pico degradou-se, mas, os skatistas locais, não ficaram somente vendo a destruição, e resolveram colocar a mão na massa para zelar por aquilo que conquistaram.
Um dos skatistas envolvidos na reforma é Jarbas “Jay” Alves, profissional de BH e skatista patrocinado pela Converse Skateboard. Como sou conterrâneo deste cara, obviamente também tenho um interesse especial por tudo aquilo que rola na terra do pão de queijo. E para ficar atualizado, fiz uma entrevista com “Jay” Alves, que tirou um tempinho em meio a sua rotina para responder algumas perguntas sobre a reforma do Mercantil. Confira abaixo.
Entrevista com Jarbas “Jay” Alves
Tempo de skate: Aproximadamente 15 anos
Patrocínio: Converse Skateboard, Capital, Official Brasil
Como surgiu o Mercantil para os skatistas de BH? Foi somente após o Desafio de Rua da revista
CemporcentoSkate que ficou possível andar de skate ali?
Na verdade já era um pico de street de BH há bastante tempo, mas não era muito utilizado pelas condições em que estava. Após o Desafio de Rua (da Revista CemporcentoSkate) ele foi “ressuscitado”, com novos obstáculos e com o evento, que trouxe prestigio para o lugar.
O pico é liberado todos os dias? Quem são os skatistas que mais andam nele?
É sim. Os caras que mais andam lá são: Arthur “Zói’’, Iaque, Tel, eu… Pô, na real uma galera anda lá.
O Mercantil contribui para a evolução dos skatistas de BH? Quais as manobras mais complicadas que você já viu por lá?
Com certeza, todo espaço que é disponibilizado para a prática sempre traz a evolução. Putz, já vi tantas manobras, mas o Alexandre Alvarenga acertou umas um dia desses um NOLLIE FS HEEL SS GRING MAY DAY no palco novo.

Onde é melhor andar atualmente: na pista do Mangabeiras ou no Mercantil?
Mano, são dois lugares bons. Depende do que você quer andar no dia. O Mercantil é bem urbano, no meio da cidade. O Mangabeiras é no alto da cidade, natureza e tal. Da hora também, o negocio é andar. Vai muito da vibe que você está no dia.
Recentemente você esteve envolvido numa importante ação de reforma do Mercantil. Quais foram os resultados? O que os skatistas da cidade aprenderam após colocar a mão na massa e preservar o pico para a prática?
BH sempre teve muitos skatistas bons. O que falta às vezes é atitude. E a galera, depois das paradas que a gente fez, está cuidando do pico como se fosse um filho! É o nosso pico, né mano? A gente cuida, a gente anda, limpa, e tudo mais.
Várias pessoas acham que o skate destrói. Mas ações como essa provam que o skate também constrói. Você acredita que é uma tendência de agora para frente, a construção e a reforma dos picos por parte dos próprios skatistas?
Com certeza, todo mundo está se ligando que é nós por nós! Não adianta ficar só chorando e reclamando. Tem que fazer.
Até quando o Mercantil continuará liberado para os skatistas andarem livremente?
Cara, só Deus sabe. Tomara que seja por muito tempo. Recentemente o pessoal de Tubarão perdeu o Ânjela, fiquei muito triste porque ali era onde o skate acontecia no lugar. A gente, no Mercantil, ainda tem muito que fazer, então, tomara que dure muito tempo.
Quem quiser andar nele, como faz para ir até lá?
É só chegar. Fica do lado do viaduto da Avenida Amazonas, que passa por cima da Avenida Silva Lobo, em Belo Horizonte. Muito fácil o acesso.
Deixe um recado para os leitores.
Skate foi e sempre vai ser atitude. Não só na rebeldia, na forma de se vestir e tudo mais. Tem que ter consciência que somos nós, os skatista, que fazemos acontecer, que nós vamos colher os frutos em manobras, evolução e momentos felizes. Faça você mesmo! Paz e muito skate a todos!

Jay Alves em ação (foto: Diogo “Groselha”)
Imagens: XDIASX

















